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CIAS

Entre Truques e Quebra-Cabeças encanta o público

21 de dezembro de 2019

Estasiado. Se pudesse traduzir o sentimento no espetáculo que presenciei ontem a noite, essa seria a palavra. Pude acompanhar o ensaio geral antes da apresentação então já tive o privilégio de me deparar com uma cenografia clean e os grandes paineis de LED que compunham o cenário. Para quem já havia visto a surpresa, não se esperava o sentimento de contentamento ao ver a cortina se abrir para o início do espetáculo. O que presenciei foi um espetaculo real, como poucas vezes vi em nossa região.

Nas cadeiras estavam pais e alunos, amigos e parentes, gente que aprecia a arte. Todos vidrados no palco embalados por uma contagante trilha musical como pano de fundo para uma apresentação integrada do começo ao final

Fui ao GACEMSS 1 para acompanhar e registrar o uso de audio descrição para portadores de necessidades especiais por perda da visão. Eram alunos do instituto Hilton Rocha que faz um belo trabalho em nossa região. Fui impactado pelo vídeo convite da amiga Sara Bentes do pioneirismo dessa ação. No local conversei com a jovem Thais Vitória de 14 anos, que esfregava as mãos ansiosas e se embalava com os fones de ouvido. Como sempre faço, me identifiquei e fiz uma breve descrição de como eu estava vestido e o que fazia ali. Ela sorriu e me disse que estava anciosa e feliz. “Vai ser legal, mas por enquanto só está tocando a música”.

Subi as escadas e encontrei Cristina carvalho com o microfone nas mãos, no mesanino do teatro. Estava também anciosa, no canto direito, aguardando a entrada dos espectadores que já buscavam seus lugares após a abertura para o público. 

“Acho muito importante essa ação,, mas é uma grande responsabilidade traduzir o que vemos em palavras simples, porque não sabemos a experiência com os jogos, já que o espetáculo esplora esse universo através da dança”. Comentou apertando o microfone entre as mãos. Curiosamente o mesmo gesto da Thais no andar de baixo. Essa. Profissional fantástica emprestou seu talento e dom de contar para quem não podia ver, as cores e as ações que ali estavam. Na primeira sessão, um pequeno problema técnico impediu a chegada do audio para a Thais e foi aí que vi mais uma vez, emocionado, o empenho da equipe em fazer funcionar esse recurso. Enquanto a técnica corrigia o problema para a segunda sessão, Cristina substituiu os fones de ouvidos de Thais por sua presença fisica, sentando-se ao seu lado enquando descrevia com sorriso nos lábios o que os bailarinos e alunos apresentavam também sorridentes no palco.

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Todos presenciaram um espetáculo diferente, conectado e com uma história orquestrada pela produção. Gente controlando os painéis de led, entrada, suporte ao palco e como em toda a estréia os olhares de ansiedade com sorrisos apertados. Um contraponto a energia e explosão de alegria ao final do espetáculo. Dever Cumprido.

Antes da abertura dos portões, presenciei muita gente fazendo uso do elevador do GACEMSS, permitindo assessibilidade para os mais idosos, cadeirantes e gente como Alline Gonçalves, Larissa e Lara,  que vieram prestigiar a amiga Keila Andrade que se apresentaria no palco em alguns instantes. Duas delas estavam usando muletas, por uma cirurgia recente. Que conversa agradável e bom humor de gente que ama a arte, apesar de, por pouco tempo, estar impossibilitadas de dançar. Fiquei feliz ao ver que estamos conseguindo dar acesso a quem precisa.

Falando do espetáculo, fiquei muito impressionado com o resultado do trabalho. Todos muito concentrados e com uma expressão corporal impressionantes. O sincronismo dos movimentos no palco e a felicidade nos olhares. Presenciei uma equipe integrada, com paixão pelo que faz. Marcelle Pessanha, no final das duas sessões em sequencia estava realizada. “Foi muito bom estar aqui e trazer uma revolução para a dança. Estou muito feliz com o resultado e pelo retorno do público eque se envolveu em nosso espetáculo, que foi preparado com muito carinho”.

No Palco conversei com muitos amigos, entre eles Raquel Mendes, Wallace de Souza e Aline Ribeiro, nossa secretária de cultura, que matou a saudade dos palcos e integrou a coreografia com uma expressão mágica, tal como a conheci, anos atrás nos espetáculos de dança na Fundação CSN.

Para Paschoal Possidente, presidente do GACEMSS, o palco é o lugar do artista. “Estamos aqui para servir de espaço para receber o público e levar a arte para todos. Estamos alegres com esse espetáculo que pensou na acessibilidade inovando com a audio-descrição. A dança está em nosso coração e a escolha de Marcele Peçanha nos enche de orgulho”.

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Gostei muito do final do espetáculo, por ver a interação do público, sorriso nos lábios e muita gente emocionada com o que viu. No palco, como sempre, os abraços de felicidade dos alunos e artistas envolvidos. Vale esperar mais emoção para 2020. Nossos parabéns a toda a equipe e o desejo de sucessos em todas as produções.


Jader Costa

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